Como criar um chatbot: o que os desenvolvedores devem e não devem fazer em um mundo voltado para a IA

A cada dia, o mundo está cada vez mais movido pela inteligência artificial. Na verdade, é difícil encontrar empresas de tecnologia que não tenham anunciado integrações de IA em sua stack, de uma forma ou de outra. Os cínicos podem dizer que esta é uma fase passageira, mas a razão pela qual a IA é tão popular é que ela é um conjunto versátil de recursos que pode ajudar a resolver muitos problemas.

A forma mais direta de utilizar a IA é na forma de um chatbot: uma interface conversacional que imita a interação humana, gerando respostas contextuais com base nas informações fornecidas pelo usuário. Às vezes, eles são baseados em texto, como os bots de atendimento ao cliente que você costuma ver em websites ou apps. E, às vezes, são habilitados por voz, como a Siri, o Google Assistente e a Alexa. Esses exemplos específicos apenas arranham a superfície do que os chatbots podem fazer. À medida que a tecnologia continuar a evoluir e melhorar, a importância dos chatbots crescerá em vários setores. 

Neste artigo, não vamos apenas guiá-lo pelas etapas para criar seu primeiro chatbot. Também abordaremos as práticas recomendadas e os erros a evitar para desenvolvedores de chatbots, o que o ajudará a criar um chatbot da maneira correta. O artigo também abordará:

  • Como compreender os chatbots no cenário da IA

  • Os componentes essenciais de um chatbot

  • Construindo seu primeiro chatbot: Um guia passo a passo

  • Como usar LLMs para seu chatbot

  • Como testar e implantar seu chatbot

Ao final deste artigo, você saberá como criar um chatbot que se mantenha atualizado e agregue o máximo de valor, respeitando a segurança dos usuários.

Como compreender os chatbots no cenário da IA

Em termos simples, um chatbot é uma interface para comunicação com um software por meio de uma conversa simulada. No passado, isso era feito usando fluxos de trabalho rudimentares, mas desde que a disponibilidade de ferramentas de IA e de machine learning explodiu, os chatbots passaram a ser capazes de muito mais. Agora, os agentes virtuais usam IA e processamento de linguagem natural (PLN) para compreender e processar a entrada de informações a fim de produzir respostas especificamente direcionadas a elas. Isso inclui casos de uso como responder perguntas, resolver problemas e participar de conversas casuais.

Isso torna os chatbots excelentes na implementação de muitas funções de negócios importantes. Vamos ver onde os chatbots estão fazendo a diferença:

  • Atendimento ao cliente: eles tornam mais barato e fácil para as empresas oferecerem suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana, aos seus clientes.

  • Geração e qualificação de leads: eles podem interagir e se envolver com os visitantes do website, coletar informações e até mesmo agendar compromissos para as equipes de vendas.

  • Coleta e análise de dados: eles podem coletar informações dos usuários, analisar feedback e identificar tendências para melhorar produtos e serviços.

  • Educação e treinamento: para ministrar cursos online, responder a perguntas dos alunos e dar feedback.

  • Acessibilidade e inclusão: eles podem dar suporte para usuários com deficiência, traduzir idiomas e fornecer informações em vários formatos.

  • Criação e moderação de conteúdo: eles podem gerar conteúdo escrito, moderar comunidades online e até mesmo filtrar conteúdo impróprio.

Como esses exemplos mostram, os chatbots preenchem a lacuna entre o cliente e a tecnologia usada para administrar a empresa. Em vez de coletar dados manualmente e depois inseri-los em um sistema de IA, você está eliminando o intermediário. Isso significa que você pode identificar e resolver problemas com mais rapidez, proporcionando aos seus usuários uma experiência melhor.

Componentes essenciais de um chatbot

A beleza de um chatbot para o usuário final está na simplicidade da experiência. Os usuários podem falar com o bot como falariam com uma pessoa de verdade, e eles devem receber uma resposta significativa e útil.

Mas para alcançar essa simplicidade, você precisa que alguns componentes principais trabalhem juntos para interpretar a entrada, aprender com as fontes de dados disponíveis e decidir qual será a melhor resposta.

O intérprete: Processamento de linguagem natural (PLN)

Pense no PLN como um tradutor, que garante que o chatbot entenda o que está sendo solicitado. Esse componente recebe o que o usuário disse ou perguntou e analisa em busca de sentimento, contexto, intenção e muito mais. Ele faz isso realizando algumas ações:

  • Tokenização: divide a entrada em palavras e frases individuais

  • Marcação de parte do discurso: categoriza cada palavra em substantivos, verbos, adjetivos, etc.

  • Análise sintática: elabora a estrutura da frase e a relação entre as palavras

  • Análise semântica: decifra o significado de cada palavra, analisando o contexto e a intenção

O aprendiz: Machine Learning (ML)

Um atributo de um chatbot de sucesso é sua capacidade de aprender e evoluir quanto mais interage com ele. Isso se deve ao Machine Learning, que lhe confere o poder de aprender e se adaptar por diversos meios:

  • Aprendizado supervisionado: o chatbot é treinado em dados rotulados, onde aprende a conectar entradas com a resposta desejada.

  • Aprendizado não supervisionado: é quando o chatbot analisa dados não rotulados. Portanto, em vez de ver as conexões, ele procura padrões e relações para encontrar as conexões por si só.

  • Aprendizado por reforço: o chatbot usa tentativa e erro para aprender o que funciona melhor, aprimorando suas respostas com base nos resultados e no feedback do usuário.

O cérebro: algoritmos de IA

Em teoria, um chatbot não precisa usar algoritmos de IA. Mas esses algoritmos são a diferença entre respostas básicas baseadas em regras e uma conversa fluida que compreende adequadamente os problemas que está resolvendo para o usuário. Eles podem variar bastante, mas estas são algumas das funções mais comuns dos algoritmos de IA:

  • Gerenciamento de diálogo: esses algoritmos gerenciam o fluxo das conversas: alternando entre tópicos, fornecendo informações relevantes e ajudando a conversa a fluir naturalmente.

  • Geração de resposta: esses algoritmos de IA geram respostas apropriadas com base no contexto, na intenção, no tom e em outras informações relevantes. 

  • Personalização: os algoritmos de personalização adaptam as respostas ao usuário específico e às suas necessidades. Isso é feito utilizando dados do usuário e interações anteriores.

Construindo seu primeiro chatbot: um guia passo a passo

Etapa 1. Escolher a plataforma e as ferramentas corretas

A primeira etapa para criar seu primeiro chatbot é decidir qual plataforma você usará. Essa é a base, e a plataforma que você escolher vai depender do objetivo do seu chatbot. Aqui estão algumas perguntas que você deve se fazer:

  • Que problema você está tentando resolver?

  • Qual é a complexidade desse problema?

  • Quem é o público-alvo do seu chatbot?

  • De quais recursos e funcionalidades você precisa?

Outra consideração importante é o orçamento disponível e os conjuntos de habilidades. Há uma grande diferença entre uma pessoa com habilidades técnicas mínimas trabalhando por hobby e uma equipe de desenvolvimento completa com o respaldo de um grande orçamento. É por isso que é útil considerar os diferentes tipos de plataformas de chatbot:

  • Sem código/baixo código: fácil de usar, com modelos, interfaces de arrastar e soltar, etc. Perfeito para quem tem pouca experiência em codificação. Exemplos: Chatfuel, ManyChat e Landbot.

  • Plataformas baseadas em código: exigem habilidades de programação, mas permitem mais flexibilidade, controle e personalização. Exemplos: Rasa, Microsoft Bot Framework, Dialogflow.

  • Nível empresarial: projetada para implantação em larga escala e inclui recursos avançados e integrações prontas para uso. Exemplos: IBM Watson Assistant, Amazon Lex, Nuance. 

Por exemplo, se você quiser criar rapidamente um chatbot do Facebook Messenger com uma funcionalidade relativamente simples, algo como o ManyChat seria perfeito. Mas se quiser criar um chatbot mais poderoso que seja executado de uma API e possa ser altamente customizado, uma plataforma como o Rasa seria a melhor opção para você.

Etapa 2. Projetar fluxos de conversação

Quando você está construindo um chatbot, os fluxos de conversação determinam a estrutura e a progressão das conversas entre o usuário e o chatbot. Pense nos fluxos de conversação como o maestro, conduzindo os diferentes músicos para garantir que tudo flua suavemente. Você faz isso usando cinco elementos principais:

  1. Intenções: identifique os objetivos e motivações a partir da entrada do usuário.

  2. Entidades: categorize informações importantes como nomes, locais e datas.

  3. Estados do diálogo: acompanhe a conversa até o momento para evitar repetições e orientar as respostas.

  4. Ramos e transições: mapeie caminhos diferentes dependendo das respostas do usuário.

  5. Respostas: gere respostas contextuais e úteis para enviar de volta ao usuário.

Para criar fluxos eficazes, você precisa começar com o problema principal que está resolvendo e depois mapear possíveis caminhos de conversa. A forma como você implementa isso depende da plataforma escolhida, mas os fluxogramas são úteis no estágio de design para representar a estrutura da conversa. 

Ao criar seu chatbot, mantenha os fluxos o mais simples possível e evite ramificações complexas com opções excessivas. Dessa forma, você pode começar a testar e iterar mais cedo e se concentrar nas áreas que precisam de mais melhorias.

Etapa 3. Integrar o PLN e o Machine Learning

A integração do PLN e do machine learning é a diferença entre um chatbot verdadeiramente inteligente, capaz de aprender e ter conversas naturais com os usuários, e outro que é apenas um leitor de script básico.

Além de realizar reconhecimento de intenções e extração de entidades, bibliotecas de PLN como spaCy e NLTK (Natural Language Toolkit) ajudam em tarefas importantes, como análise de sentimentos. Isso analisa o tom das mensagens dos usuários e identifica a emoção, o que significa que seu chatbot pode corresponder ao tom e responder com empatia.

Da mesma forma, uma integração com bibliotecas poderosas de ML, como TensorFlow ou PyTorch, dá ao seu chatbot a capacidade de aprender e evoluir com base em interações passadas e dados do usuário. Isso não apenas permite que seu chatbot gere respostas mais personalizadas e úteis, mas também pode fazer previsões a partir desses dados e oferecer assistência e sugestões de forma proativa antes que o usuário precise pedir.

O que os desenvolvedores de chatbot devem e não devem fazer

Fazer: adotar IA e machine learning

Ao integrar IA e algoritmos de machine learning, você melhorará a compreensão e a precisão das respostas do chatbot. Essas tecnologias são a razão pela qual um grande chatbot se adapta, aprende e melhora com o tempo. Como desenvolvedor de chatbot, você deve procurar bibliotecas de IA e machine learning que agreguem um valor genuíno para seus usuários.

Fazer: focar em insights baseados em dados

Para criar um chatbot verdadeiramente útil, procure continuamente maneiras de melhorar o desempenho e a qualidade da resposta do seu bot. A melhor maneira de fazer isso é capturar e analisar dados de interação do usuário e, em seguida, identificar onde você pode refinar e iterar seus fluxos de conversa e funcionalidades.

Fazer: manter-se atualizado com as tendências de IA

Como os últimos anos demonstraram, o campo da IA está crescendo rapidamente. Parece que todos os dias surge uma nova biblioteca, app ou API revolucionária. Esses avanços podem parecer intimidantes, mas se você se mantiver atualizado sobre essas novas tendências e tecnologias, poderá encontrar o ingrediente que faltava para levar seu chatbot a um novo patamar. 

Fazer: pensar no escopo das respostas do seu chatbot

Há muitos exemplos de chatbots baseados em GPT que recebem uma ampla variedade de perguntas (por exemplo, usuários que fazem perguntas sobre aconselhamento financeiro a um chatbot criado para responder a perguntas sobre viagens). Bem no início do seu design, considere criar um escopo finito de perguntas e tópicos aos quais você permitirá que seu chatbot responda para garantir uma ótima experiência do usuário desde o começo. 

Não fazer: colocar a segurança e o preconceito do usuário em segundo lugar

É fácil se deixar levar pelas infinitas possibilidades do seu chatbot, mas também é importante ter cuidado. Os vieses podem invadir seus chatbots, o que pode impactar negativamente suas respostas. Você também precisa respeitar a privacidade dos usuários e os padrões éticos, tanto para protegê-los quanto para evitar problemas para si mesmo.

Não ignore a importância dos testes.

Abordaremos isso com mais detalhes em breve, mas não caia na armadilha de implantar seu chatbot sem testes rigorosos em cenários do mundo real. Você precisa ter certeza de que ele é robusto e confiável antes que um usuário final tenha qualquer contato com seu chatbot.

Não ignore o feedback do usuário.

Para criar o melhor chatbot possível, você precisa coletar e agir regularmente com base no feedback de seus usuários. Esse feedback será vital se você quiser que seu chatbot permaneça relevante e tenha sucesso a longo prazo. Isso pode ser relatórios de bugs, reclamações ou até mesmo solicitações de recursos. Leve todo esse feedback a sério e continue procurando maneiras de melhorar a experiência dos usuários.

Como usar LLMs para seu chatbot (RAG, ajuste fino)

Outra maneira eficaz de aprimorar as capacidades e o desempenho do seu chatbot é conectá-lo a um grande modelo de linguagem (LLM). Um LLM é um tipo poderoso de IA treinada com grandes quantidades de dados para compreender e gerar respostas em linguagem humana.

Apesar de seu poder impressionante, um LLM como o GPT-4 ou LLaMA provavelmente não estará alinhado com as necessidades específicas do seu chatbot imediatamente. Para aproveitar o poder do LLM, você precisará customizá-lo e aprimorá-lo para que ele possa compreender e responder de forma consistente com o uso pretendido do seu chatbot.

Uma maneira de fazer isso é com Retrieval-Augmented Generation (RAG). Nesse processo, um modelo de recuperação é usado para selecionar documentos relevantes com base na consulta do usuário, que são então passados para o LLM. Esses documentos podem vir de seus dados privados, como uma base de conhecimento preexistente, registros de bate-papo ou qualquer outro conteúdo relevante. O LLM pode então combinar essas informações com seus recursos existentes para gerar uma resposta mais precisa, relevante e eficiente.

Outra forma de aprimorar a integração com o chatbot é por meio do ajuste fino do LLM. Isso significa adaptar o LLM à tarefa ou ao problema específico que o chatbot foi projetado para resolver. Dessa forma, ele aprende a linguagem específica do domínio e melhora a relevância das respostas geradas. Esse processo pode ser repetido à medida que o chatbot evolui ou mais dados se tornam disponíveis, garantindo que o LLM esteja sempre otimizado para funcionar com o bot.

Como testar seu chatbot

Assim como em qualquer tipo de desenvolvimento de software, os testes são uma parte fundamental da criação e melhoria do seu chatbot. Para ter certeza de que seu chatbot esteja pronto para implantação, você precisa testar a funcionalidade, a experiência do usuário e o tratamento de erros. 

Teste funcional

Para garantir que seu chatbot funcione conforme o esperado, realize testes funcionais nos níveis de unidade e integração, bem como por meio de testes de sistema mais amplos. Você também deve avaliar o desempenho do chatbot, certificando-se de que não haja gargalos ou problemas de escalabilidade.

Teste de experiência do usuário

Pense no usuário final para garantir que você ofereça a melhor experiência possível. O teste de usabilidade é uma ótima maneira de fazer isso, no qual você observa usuários reais interagindo com seu chatbot. Para garantir que seu chatbot possa ser usado por todos, realize testes de acessibilidade, que incluem testes com um leitor de tela e uso do bot apenas com um teclado.

Tratamento de erros

Antes de implantar seu chatbot, você precisa saber que ele pode lidar facilmente com qualquer erro que possa ocorrer. Isso pode incluir testes de resistência para simular tráfego intenso, envio de entradas inesperadas e verificação de vulnerabilidades de segurança. Você quer ter certeza de que, se algo der errado, não vai dar pane em tudo.

Como implantar seu chatbot

Quando você tiver certeza de que seu chatbot está pronto, é hora de implantá-lo. Mas antes de apertar o grande botão verde, há algumas coisas que você deve considerar:

  • Monitoramento e análise: certifique-se de ter sistemas implementados para monitorar continuamente o desempenho, a atividade do usuário e outras métricas importantes, o que ajudará você a detectar problemas rapidamente e realizar melhorias futuras.

  • Canais de feedback: facilite ao máximo para que os usuários enviem feedback após a implantação. Eles se sentirão melhor por terem alguém a quem recorrer, e você se sentirá melhor por saber o que eles estão pensando.

  • Implantação faseada: implantar um novo app pode ser arriscado, portanto, considere fazer uma implantação faseada para testar o mercado antes do lançamento completo. Ao lançar primeiro para um público menor, você pode analisar as interações e fazer os ajustes necessários.

Oportunidades infinitas para os chatbots

O mundo dos chatbots e da IA está em constante evolução, mudando a forma como interagimos com a tecnologia e as empresas. Esperamos que este artigo tenha desmistificado a tecnologia e lhe dado a confiança necessária para criar seu próprio chatbot. Ao explorar o potencial infinito dos chatbots, você pode criar sua própria aplicação de IA exclusiva, capaz de crescer e evoluir à medida que você aprende e aprimora suas habilidades. 

Aqui na Elastic® — sempre buscamos maneiras de usar esses avanços para melhorar nossos produtos e facilitar a vida de nossos clientes, desde o aprimoramento dos recursos de chatbot no Elasticsearch® até nossa recente aquisição da Opster, que criou seu próprio chatbot brilhante, OpsGPT.

A revolução da IA certamente está a todo vapor e com certeza será uma jornada emocionante!

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O lançamento e o tempo de amadurecimento de todos os recursos ou funcionalidades descritos neste artigo permanecem a exclusivo critério da Elastic. Os recursos ou funcionalidades não disponíveis no momento poderão não ser entregues ou não chegarem no prazo previsto.

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